Blog – Juliana Trintin https://julianatrintin.com.br O que é importante para você, é importante para nós! Tue, 13 May 2025 20:25:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.1 https://julianatrintin.com.br/wp-content/uploads/2024/01/cropped-Design-sem-nome-6-32x32.png Blog – Juliana Trintin https://julianatrintin.com.br 32 32 Prazos Processuais e o Domicílio Judicial Eletrônico: Entenda o que Mudou e Como Isso Afeta sua Empresa https://julianatrintin.com.br/prazos-processuais-e-o-domicilio-judicial-eletronico-entenda-o-que-mudou-e-como-isso-afeta-sua-empresa/ https://julianatrintin.com.br/prazos-processuais-e-o-domicilio-judicial-eletronico-entenda-o-que-mudou-e-como-isso-afeta-sua-empresa/#respond Tue, 13 May 2025 20:03:00 +0000 https://julianatrintin.com.br/?p=1917 Introdução

Você sabia que a Justiça brasileira agora envia intimações diretamente para um “e-mail oficial” da sua empresa? E mais: que, se você não abrir a mensagem em até 10 dias, o prazo para resposta começa automaticamente — mesmo que você não tenha lido?

Neste artigo, explicamos de forma clara o que mudou nas regras da contagem de prazos processuais com a nova Resolução CNJ nº 569/2024. Vamos mostrar como era antes, o que mudou e como sua empresa deve agir para evitar prejuízos jurídicos.

Antes da mudança

Até 2024, a contagem de prazos judiciais — especialmente para entes públicos — seguia regras diferentes e gerava dúvidas, especialmente quando envolvia citações por meios eletrônicos.

  • A Fazenda Pública, por exemplo, tinha prazos em dobro (art. 183 do CPC), e a contagem começava apenas após confirmação de recebimento da citação.
  • As comunicações judiciais podiam chegar por diversos canais, como portais dos tribunais, e-mails institucionais, aplicativos, o que dificultava o controle sistemático pelas empresas.
  • Não havia um padrão nacional, o que abria margem para erros, prazos perdidos e penalidades.

Depois da Resolução CNJ nº 569/2024

A nova norma alterou a Resolução CNJ nº 455/2022 e padronizou a contagem de prazos processuais eletrônicos. As mudanças são diretas e impactam especialmente empresas privadas e entes públicos.

O que mudou:

  • Se a citação ou intimação for enviada pelo Domicílio Judicial Eletrônico (DJE) e não for acessada em até 10 dias corridos, ela será considerada automaticamente realizada no 10º dia, independentemente da leitura.
  • Esse período de 10 dias é contado em dias corridos, e não se aplica a regra dos dias úteis do art. 219 do CPC.
  • Se a empresa acessar a intimação dentro do prazo, o prazo processual começa a correr no quinto dia útil após a leitura (conforme art. 231, IX do CPC).
  • O DJE passa a ser o único canal válido para comunicações que exigem ciência, excluindo outras formas de notificação.

Essas alterações estão previstas nos artigos 20, §§ 3º-A, 3º-B e 4º da Resolução 455/2022, com redação dada pela Resolução CNJ nº 569/2024.

O que isso significa na prática

  • A empresa precisa acompanhar o DJE todos os dias úteis. Deixar de acessar pode ser fatal para a defesa em um processo.
  • Mesmo que ninguém leia a mensagem, a Justiça considera sua empresa intimada — e os prazos correm normalmente.
  • Perder o prazo significa risco de revelia, multas por ato atentatório à dignidade da Justiça (art. 77 do CPC) e danos à imagem e ao caixa da empresa.

Como se proteger

  1. Realize o cadastro no DJE:
  2. Acesse https://domicilio-eletronico.pjd.jus.br e cadastre sua empresa usando um CPF de sócio ou um e-CNPJ com poderes de representação.
  3. Configure alertas de e-mail e SMS:
    Assim, toda intimação será avisada à sua equipe em tempo real.
  4. Treine seu time:
    Sua equipe precisa saber como funciona o sistema e o que fazer diante de cada nova intimação.
  5. Conte com apoio jurídico especializado:

Ter um advogado acompanhando o painel diariamente é a forma mais segura de garantir que a empresa não seja pega de surpresa.

Conclusão

A forma como o Judiciário se comunica com sua empresa mudou. Agora, quem não acompanha o Domicílio Judicial Eletrônico corre riscos sérios — e, muitas vezes, silenciosos. Um prazo perdido pode significar uma condenação injusta ou um prejuízo irreparável.

Transforme essa obrigação legal em uma oportunidade de organização e vantagem competitiva. Esteja em dia com o DJE, proteja sua empresa e mantenha sua atuação segura e profissional.

Baixe aqui o seu livro sobre Domicilio Judicial Eletrônico

]]>
https://julianatrintin.com.br/prazos-processuais-e-o-domicilio-judicial-eletronico-entenda-o-que-mudou-e-como-isso-afeta-sua-empresa/feed/ 0
O Papel das Marcas: De Tambores de Uísque à Guerra por Atenção no Século XXI https://julianatrintin.com.br/o-papel-das-marcas-de-tambores-de-uisque-a-guerra-por-atencao-no-seculo-xxi/ https://julianatrintin.com.br/o-papel-das-marcas-de-tambores-de-uisque-a-guerra-por-atencao-no-seculo-xxi/#respond Mon, 12 May 2025 00:20:27 +0000 https://julianatrintin.com.br/?p=1896

“Uma marca é muito mais do que um nome bonito – é um escudo, uma promessa, uma história.”


Antes de Tudo, Uma Marca É… Proteção

O que faz você reconhecer um produto como confiável? O nome? O logo? A embalagem? Ou seria tudo isso junto?

A verdade é que uma marca é uma combinação de sinais que diferencia um produto de seus concorrentes. Ela não serve apenas para dar um nome ao que vendemos. Desde os tempos mais antigos, as marcas surgiram como instrumentos de proteção – tanto para o consumidor quanto para o produtor.

No Império Babilônico, já havia registros de tijolos identificados com nomes de seus artesãos. Na Europa medieval, os símbolos dos guilds (ou corporações de ofício) eram gravados em produtos como um selo de autenticidade. Já no século XVI, os produtores de uísque começaram a marcar os barris com seus nomes — literalmente queimados na madeira — para evitar substituições por bebidas adulteradas.

Não era apenas marketing: era sobrevivência.


Do “Old Smuggler” à Era da Publicidade

Em 1835, surge a marca Old Smuggler, um Scotch que tentava se associar à reputação dos destiladores ilegais que, apesar da clandestinidade, entregavam qualidade superior. Esse movimento foi um dos primeiros indícios do que conhecemos hoje como associação de marca: usar uma narrativa ou uma reputação para agregar valor ao produto.

Mas foi só no século XX que o jogo mudou completamente. A chegada da publicidade em massa e da mídia eletrônica transformou o branding em arma estratégica. Empresas deixaram de vender apenas produtos e passaram a vender significados.


De Produto a Experiência: A Revolução do Branding

Em um mercado saturado de alternativas, o preço deixou de ser o único critério de escolha. As marcas passaram a criar diferença percebida — algo que vai além da qualidade objetiva e mexe com emoções, valores e identidade do consumidor.

Para isso, entraram em cena:

  • Pesquisas de mercado para entender o que importa para as pessoas;
  • Design de embalagem como extensão da proposta de valor;
  • Publicidade emocional, contando histórias em vez de apenas mostrar atributos;
  • Distribuição estratégica, para estar no lugar certo, da forma certa, na hora certa.

O objetivo? Fazer com que o cliente sinta algo ao ver a marca. Porque um bom produto pode ser copiado. Uma marca forte é única.


O Valor Invisível (Mas Bilionário) das Marcas

Para entender o poder real das marcas, basta olhar os números.

Quando a Kraft foi vendida por US$ 13 bilhões, estava sendo negociada por mais de 600% acima do seu valor contábil. Não era pelo maquinário, nem pelos ativos físicos. O que estava em jogo era algo invisível, mas palpável: o valor da marca.

Outro exemplo: em 1988, a Sunkist gerou mais de US$ 10 milhões em royalties apenas com o licenciamento de seu nome. Produtos como doces, refrigerantes, sucos e suplementos usaram a marca Sunkist para se diferenciar no ponto de venda e, mais importante, na mente do consumidor.


Por Que Hoje É Tão Difícil Criar Uma Marca de Verdade

Se as marcas valem tanto, por que não criar uma do zero?

Simples: porque hoje é muito mais caro, difícil e competitivo do que há algumas décadas.

Veja o cenário atual:

  • Custo de mídia nas alturas: comerciais de 30 segundos já são considerados inviáveis para marcas iniciantes.
  • Concorrência brutal: só nos supermercados, cerca de 3.000 novas marcas surgem por ano.
  • Saturação de categorias: existem mais de 750 modelos de carros, 150 marcas de batons e 93 marcas de ração para gatos.
  • Disputa pelo canal e pela mente: estar na prateleira já não basta — é preciso estar na lembrança e no coração do consumidor.

Resultado? Muitas marcas nascem pequenas e acabam presas em nichos, sem fôlego financeiro para investir em campanhas massivas. A construção de uma marca hoje exige paciência, estratégia e consistência a longo prazo.


Reflexão Final: O Verdadeiro Papel das Marcas

No fim, as marcas existem para reduzir incertezas. Em um mundo caótico, elas oferecem um atalho emocional e racional para decisões de compra. Elas são promessas públicas de qualidade, identidade e experiência.

Por isso, mais do que nunca, o branding não é cosmético. É estratégia central. Quem entende isso, constrói algo maior do que um produto — constrói um legado.

]]>
https://julianatrintin.com.br/o-papel-das-marcas-de-tambores-de-uisque-a-guerra-por-atencao-no-seculo-xxi/feed/ 0
O Que É Brand Equity? E o Que a História do Sabonete Ivory Tem a Ver Com Isso https://julianatrintin.com.br/o-que-e-brand-equity-e-o-que-a-historia-do-sabonete-ivory-tem-a-ver-com-isso/ https://julianatrintin.com.br/o-que-e-brand-equity-e-o-que-a-historia-do-sabonete-ivory-tem-a-ver-com-isso/#respond Mon, 05 May 2025 00:17:09 +0000 https://julianatrintin.com.br/?p=1893

“Um produto é feito em uma fábrica. Uma marca é comprada por um cliente.” – Stephen King, WPP Group


Muito Além do Produto: O Valor Intangível da Marca

Em um mundo onde os produtos podem ser copiados em semanas, o que realmente diferencia uma empresa de suas concorrentes? A resposta está na marca — mais especificamente, no que chamamos de brand equity.

Brand equity (ou “valor da marca”) é o conjunto de ativos intangíveis ligados a um nome, símbolo ou imagem que adicionam (ou até subtraem) valor à experiência de consumir um produto. É o que faz você escolher uma determinada marca mesmo que o produto seja mais caro, ou mesmo que haja alternativas com especificações semelhantes.

Mas para entender como se constrói esse valor ao longo do tempo, nada melhor do que uma boa história.


Ivory: Quando Um Erro de Produção Cria um Ícone

Tudo começou com uma inspiração bíblica. Em 1879, Harley Procter — fundador da Procter & Gamble — ouviu um sermão com a frase “de palácios de marfim”. A palavra Ivory ficou marcada. Foi assim que batizou seu novo sabonete branco.

Em 1881, o produto ganhou seu primeiro anúncio publicitário com dois argumentos revolucionários: o sabonete flutuava e era 99 44/100% puro. Esse nível exato de pureza, validado por testes laboratoriais, tornou-se uma das frases de marketing mais reconhecíveis da história.

Mas o mais curioso é que o sabonete flutuava graças a um erro na fábrica — bolhas de ar inseridas acidentalmente. Os consumidores gostaram tanto da novidade que pediram aquele “sabonete que flutua”. E a marca ouviu.


Muito Mais do Que Sabonete: O Nascimento de uma Marca com Significado

Naquela época, a maioria dos sabonetes era escura, áspera e irritava a pele. Ivory se posicionou como puro, suave e confiável, especialmente para bebês — algo reforçado pelo nome, pela cor branca, pelas embalagens e pelas imagens publicitárias. O produto virou um símbolo de confiança.

Mesmo durante a Grande Depressão, a empresa manteve os investimentos em publicidade, incluindo o patrocínio de um dos primeiros soap operas de rádio (o termo vem exatamente do patrocínio de empresas de sabão).

Ivory cresceu tanto que, mesmo quando atacada por cópias, como o Swan da Lever Brothers, manteve sua liderança por uma simples razão: nenhuma concorrente conseguia substituir o significado que a marca tinha construído.


O Sistema de Gestão de Marcas da P&G: Um Case Global

Em 1931, frustrado por ver a marca Camay ofuscada por Ivory, Neil McElroy escreveu um memorando interno que mudaria para sempre o marketing: sugeriu a criação de equipes de brand management — ou seja, times dedicados exclusivamente a cuidar de uma marca, com foco em consistência, posicionamento e performance.

Esse modelo de gestão se espalhou e se tornou padrão em grandes empresas ao redor do mundo.

Hoje, a P&G administra dezenas de marcas com diferentes posicionamentos, todas sustentadas por pilares sólidos de brand equity. Mesmo em segmentos maduros como o de detergentes, a empresa consegue dominar ao segmentar o mercado com diferentes associações: Ivory, Tide, Gain, Dreft, Bold, Cheer… cada uma com uma promessa clara.


Brand Equity: O Maior Ativo Invisível

A história de Ivory mostra que construir uma marca de valor exige:

  • Tempo
  • Investimento consistente
  • Narrativa coerente
  • Capacidade de ouvir o consumidor
  • Visão de longo prazo

Em mais de um século, Ivory gerou bilhões de dólares em receita. Mas talvez o maior legado da marca seja a prova viva de que uma boa marca é mais forte do que qualquer inovação tecnológica isolada.


Reflexão Final

Se você trabalha com marketing, negócios ou empreendedorismo, a lição é clara: não subestime o poder do invisível. Brand equity não aparece nos balanços financeiros, mas pode ser o maior diferencial competitivo da sua empresa.

Uma marca é muito mais do que um nome bonito. Ela é a promessa que você cumpre, o valor que você representa e a confiança que você conquista.

]]>
https://julianatrintin.com.br/o-que-e-brand-equity-e-o-que-a-historia-do-sabonete-ivory-tem-a-ver-com-isso/feed/ 0